Assim…

Esses sussurros que escuto,

Palavras que cortam como uma lâmina ingrata.

Sou eu ou e você?

Quem fala comigo todas as noites?

Quem diz aos murmúrios toda crueldade que temo?

De quem e a voz familiar que me acomoda e me destrói?

É você quem me tira a liberdade?

Sou eu quem nega a felicidade?

A alma sangra mais que um corpo, mas reflete nele toda sua dor.

Eu grito para que pare,

Já não aguento tanta solidão.

Já não agüento ter apenas você, sem nunca ter tido algo na verdade.

Gostaria de saber se sou eu ou você que irá sentir falta.

Quem sofreria mais?

Foi você quem me mostrou tantas coisas valiosas.

Como a verdade pode doer. Como a traição é constante.

Como o mundo e maldito. Como o amor não é correspondido.

Choro mais uma vez, em seguida um sorriso.

E você que eu devo minha vida. Afinal, antes de você eu não vivia.

Só vive quem sofre e quem chora e se destrói.

E a sua voz ou e a minha?

Isto já esta ficando mais atraente,

O que vem em seguida? Logo vou saber.

Você também quer saber não que?

Nós vamos juntos, não se preocupe.

As vezes eu penso num vazio, minha mente não suporta.

Um inferno parece ser mais agradável.

Então, quem quer ir primeiro?

Lógico que estou brincando, você irá primeiro.

Afinal você sempre esteve na frente.

Era sempre você, primeiro, sempre… Você! O resto nunca importava.

Sim, todas as coisas, tudo que eu fiz foi por você ninguém mais.

Se ao menos você tivesse reconhecido, mas você simplesmente ignorava.

Agora e tarde meu bem, desculpas feitas não curam.

Logo estaremos juntos novamente, como na frase que vi outro dia num filme.

“O inferno não terá surpresas para nós…”.

E minha faca viola seu delicado pescoço, seu sangue se espalha, estou coberto.

Choro, em seguia um sorriso…

Primeiro a dor, depois a escuridão.

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Buscando um caminho quando…

Ei, você? Como pode ignorar assim a imagem criada por sua semelhança espelhada?

Quem? Eu? Não passa de nada, apenas um reflexo!

Como ousa? Não sabe que tudo que se imagina vive.

A vida de nada vale se dela não se vive há nenhum instante.

Espere, eu disse para esperar. Não pode continuar me ignorando.

Lógico que como posso, já assim estou a fazer, agora saia logo, não vê que me ocupo de algo?

Ocupar-se-á de mim agora, sou sua única causa.

Depois eu que sou o egoísta.

Egocêntrico.

Que seja, agora, bom dia e Adeus.

Eu já disse, vou ficar com você, não tenho para onde ir e você me tirou de onde estava.

Ora, onde já? Pensas que é quem para falar que eu o fiz sem ao menos lembrar-me de ter feito algo por alguém?

Fez sim e sabe muito bem que tem feito, salvaste minha vida, agora tens responsabilidade de mim.

E assim nasce meu filho ingrato que afirma sua salvação e agradece com punição seu herói e salvador!

Herói? Já está insano é? Se lembro-me bem, foi vossa magnitude que me enfiou em enrascadas.

Agora sou vilão? Ladrão cruel e mórbido de alma que destruiu tal pureza bela de um jovem sem causa.

Eu ainda tenho causa seu louco. Acho melhor ir sozinho, assim não me arrisco a pegar sua doença mental.

A sanidade insana do louco deturpado é sua perturbação mal compreendida da verdadeira insana falta de humanidade do homem, já mostra você tão jovem a incompreensão da insana sabedoria das palavras nunca ditas e sim cantadas pelo coração.

O que você quer disser com isso?

Digo que não me agrada e preferia ter o contrario, mas se afirma ser minha responsabilidade, responsabilidade eu a irei vir a ter, do contrario seria eu indigno de minha própria vida.

Então posso ir com você?

Não me faça responder aquilo que já sabes garoto imprudente.

Velho insano e demente.

Moleque ingrato e doente.

Então? Aonde iremos?

Iremos para Lá, ou para o outro lá também, seguindo o contrario de onde viemos e buscando o caminho para onde queremos.

Você também está perdido não está?

Como ousa subjugar minha astúcia?

Está sim.

De fato, mas seguiremos assim mesmo.

Que escolha tenho eu?

A de ficar calado. 

Fantasia

Todos os dias ela olhava pela janela esperando, aguardando e sonhando, sua fantasia procurando.

Os céus negros pelas nuvens de tempestade constante, raios e trovões ressoam adiante.

Do alto da torre negra, sua prisão e seu lar, esperava, aguardava um herói vir salvar.

Muitos já tentaram e muitos ali falham. Seus corpos e armaduras são avisos para os incautos.

Noites e dias sem esperança perder, presa a sua fantasia de liberdade um dia ter.

Mas o seu cruel carcereiro, seu vilão atormentado, um mago corrompido de poderes demoníacos e que jamais a iria deixar. Não permitiria sua liberdade, não a deixaria escapar.

Demônios e dragões vigiavam a masmorra contra quem viesse se aproximar, havia espectros em cada canto, sempre a espreitando e ela sabia que era observada, podia se sentir tocada pelos suas gélidas garras a sua pele a arranhar.

E nessas noites mais terríveis ele a vinha visitar, a violava e maltratava, a fazia chorar e sangrar e nessas noites quando ele acabava ela rastejava ate a janela, se pulasse não conseguia, vários feitiços não a permitia, então ela esperava, esperava e aguardava, aguardava e sonhava e sua fantasia encontrava.

…que?

O que eu sou? O que eu quero? O que nós somos e o que nós queremos? Quem já foi amado e não pode amar? Quem nunca amou o que não pode alcançar? Por que ser diferente? Por que ser igual? Escolher ou não?

Quem nunca teve medos? Sejam bobos ou não, mesmo o medo de ter medo é um medo valido, e o maior dos medos qual seria? O da morte talvez? Embarcar no desconhecido vazio da morte, encontrar livramento da carne, encontrar um paraíso ou um purgatório, talvez um inferno ou uma nova vida? Ou quem sabe nada, apenas um mergulho profundo no esquecimento. Temer a morte seria estupido não? Seria como ter medo de respirar ou de comer, a morte é inevitável e com absoluta certeza necessária para que a vida aconteça. Seria outro então o maior dos medos?
Medo de ser esquecido? De ser ignorado, de viver no anonimato e no fim partir para o nada sem deixar nenhuma marca de que um dia você existiu. Quem compartilha esse medo? Muitos? Todos? Poucos? Nenhum?

Medo de ser o único, de não ser aceito, de não se encaixar na sociedade. Medo de ser feliz? Medo de lutar pelos seus sonhos, de se deixar levar por uma emoção, uma paixão ou uma vaidade?  Medo de estar certo ou de estar errado?

Quem nunca teve duvidas? Questionou seus próprios atos e os atos dos outros. Quem nunca ignorou uma verdade ou ignorou uma pessoa? Uma situação critica ou ate uma simples que você poderia ter solucionado, mas resolveu ignorar.

Quem já foi forte pelos outros, mas foi fraco para si mesmo? E quem não? Aceitou as diferenças dos outros? Julgou alguém pelo que ela é, faz ou sonha?

Quem nunca foi humano? E quem já tentou ser?

Inocência

Ela já havia parado de chorar, não havia mais motivos para isso. A escuridão já havia coberto ela como uma manta quente e confortável e o medo que havia já não era mais necessário, tentou mover seu corpo novamente sem nenhum êxito, mesmo depois de tanto tempo ainda acreditava que tentar se mover era melhor do que ficar apenas estática. Imaginou o que iria comer mais tarde, uma torta talvez, quem sabe omelete? Seria bom não seria? Ainda não podia comer, teria que aguentar mais um pouco, mas não a sede, essa continuava cada vez mais forte e ela se via obrigada a esticar a cabeça um pouco para beber da água que escorria lentamente do seu lado, pelo amor de Deus! Como aquela Água era horrível, alguém devia filtrar aquilo melhor, seria gosto de terra ou esgoto? Bem, era a água que tinha por hora, saindo dali iria tomar um litro de suco de laranja natural e geladinho da padaria do Wando. Vovó ainda dormia do seu lado.

      Onde? Havia dormido? Tentou mexer novamente o corpo sem nenhum sucesso, realmente era muito desconfortável, mas o que poderia fazer além de aguardar a sua vez não é? Lembrou se de uma musica, são engraçadas as coisas que vem na mente em momentos inoportunos como esses, engraçadas mesmo, pois bem, se pós a cantar baixinho, quem sabe assim o tempo não passa mais rápido? Depois parou, não queria acordar a vovó.

     Sensação térmica. Era essa a palavra que procurava, aprendeu há poucos dias na escola, sentia calor e frio ao mesmo tempo, quase como uma sensação de febre e também havia aquela sensação de pressão como se estivesse espremida e o ar que estava quente, mas sempre que entrava nas suas narinas parecia gelado?  Esquisito de mais? Deve ser alguma coisa tipo sensação térmica não é? O corpo humano é cheio de mistérios, então abandonou o pensamento e voltou a cantarolar, ou será que adormeceu novamente?

    Uma estrela? Ate então o céu era apenas um mar negro e vazio, agora surgiu uma pequena estrelinha, tão linda, tão solitária, tentou se mexer sem sucesso novamente, sentiu lagrimas quentes escorrerem pelo seu rosto, o que tinha de fazer mesmo? Ah sim, sim, um desejo. Um desejo para a primeira estrelinha que vejo, foi assim que a vovó ensinou, mas o que deveria desejar? Um copo de suco seria bom, um sanduiche seria melhor ainda, mexer as pernas de novo? São tantas coisas boas que poderia pedir, mas no fundo desejou não adormecer novamente. Adormeceu.

      A pequena estrela estava maior dessa vez, muito maior mesmo, havia barulhos, gritos, apitos, por que tanta confusão? Seu corpo todo estremeceu, não, não o corpo, tudo estremeceu, coisas caiam no seu rosto, seriam pedras? Queria pedir que parassem e que saíssem dali, mas não saiu um som de sua boca, a estrela já estava maior que um sol, a luz tão forte a estava deixando cega, sentiu cede novamente. Agora tinha aqueles homens saindo da sua estrelinha que já nem “inha” era mais, eles vinham e gritavam, pegavam coisas e a ameaçavam, com suas lanças e ferramentas jogadas contra ela, sentiu medo, queria fugir, seu corpo não mexia, queria que eles fossem embora… ate que um deles desceu do céu, de dentro da sua estrela, ela estava chorando, ela pode ver seu rosto sujo, suado e machucado, tinha um grande capacete, seria um guerreiro? Ele sorriu para ela e o medo abandonou seu coração novamente “vai ficar tudo bem princesa, vamos sair daqui?”.  

     Desenterraram seu pequeno corpo que a muito havia perdido as forças por causa da terra que havia a soterrado, foi amarrada numa cama dura e nem teve medo nem mesmo quando foi puxada, ouviu alguém dizendo a palavra fratura, teria que perguntar a vovó o que seria isso. Não conseguiu mexer a cabeça, mas estava acostumada a não conseguir se mexer, será que vovó já havia acordado? Muitas luzes agora, muita gente em cima dela, puxa, mexe, aperta e solta, ate uma mascara nela eles havia colocado, falaram que ela não podia dormir, mas sentia tanto sono! Aqueles homens e mulheres com a mesma roupa, seus rostos preocupados e falando tanta coisa, queria entender melhor sobre o que eles falavam, tantas coisas para perguntar para vovó, o que seria soterrada? Desabamento? Palavras estranhas, mas agora entendeu que aquele homem falou de sua vovó, vovó salvou a vida de alguém ele disse. Vovó sempre foi uma heroína mesmo, teria que perguntar para ela depois o que significava a palavra óbito. 

Sentimentos ruins

Você pode senti-los? Rastejando nas suas veias, por baixo da sua pele, sugando a sua vida?
Você pode ouvi-los? Sussurrando podridão em seus ouvidos, clamando pela sua dor, querem que você sofra por eles e você sofrerá e eles irão te amar.
São vermes que você cultiva, eles procriam em seu corpo, defecam na sua carne, mutilam a sua alma e te amam e te veneram. Você é o único mundo que eles conhecem e é o único que irão conhecer, sua importância é inquestionável e mesmo assim eles irão te destruir, você irá apodrecer pelo amor e pela luxuria, para que eles possam ter prazer e possam viver, Você sente eles dentro de você agora? Pode ouvi-los cantar o seu nome? Não se preocupe, não será rápido, será lento e agonizante e todos irão poder assistir você sucumbir. Era esse o seu desejo? Está contente agora? Os vermes que você colheu já estão fortes e vigorosos agora, você os alimentou bem, agora é a vez deles de fazerem algo por você.