Desejos

Oliveira é um homem trabalhador, era contador tinha sua própria empresa, pai de família, tendo assim dois filhos e com uma maravilhosa esposa. Sua vida é o que muitos diriam perfeita, claro que tinha problemas, quem não tem, afinal? Mesmo assim sua vida caminhava muito bem, não vivia do luxo exagerado e realmente não se importava com isso, seus filhos estavam em uma boa escola e pouco reclamavam ou pediam por coisas, e como já foi dito, sua esposa é maravilhosa, sempre atenciosa e dedicada, uma verdadeira família dos sonhos. Então por que Oliveira não consegue ser feliz? Por que não consegue apenas viver com o que já tem e pronto? Claro que o ser humano é uma criatura ambiciosa por natureza, isso é normal e até certo ponto muito aceitável na sociedade, o problema era que Oliveira tinha um segredo terrível, um segredo que também era uma ambição, Oliveira gostava de comer. Ora, e quem não gosta? Sim, claro que a gula é um dos sete pecados mortais, mas ainda assim é um pecado aceitável pela sociedade, no mundo em que vivemos a comida domina, somos bombardeados por fast food’s, restaurantes, guloseimas de todos os tipos na televisão e vivemos com isso. Infelizmente para Oliveira seu apetite era um pouco mais refinado, gostava de carne, bem passada ou mal passada, não importava muito, só que o problema realmente era que ele gostava de ver seus alimentos vivos antes de comê-los. Apesar de ser considerado algo cruel, muitas pessoas praticam coisas parecidas, seja em sua religião ou cultura, até ai tudo bem, infelizmente ele também sentia prazer no sofrimento de seu alimento antes de abatê-lo de vez. Em seu armazém, deixado de herança por varias gerações de família, é onde fica seu templo de satisfação, seu lugar sagrado onde poderia pegar sua presa e faze-la sofrer, se sentia poderoso com isso e comer sua carne enquanto estava viva lhe dava uma satisfação imensurável. Tudo isso era bem problemático e ele sabia bem disso, sabia que as pessoas nunca iriam compreender, nunca iriam apreciar a grandeza de tudo isso, seria preso e quem sabe até executado, afinal, não é muito comum encontrar alguém que gosta de comer outras pessoas.

        Hoje ele estava bem ansioso, receberia uma grande visita em seu armazém, já tinha ouvido falar de pessoas como esse tal de Sr. Malta antes, pessoas que se ofereciam para serem canibalizadas, mas era a primeira vez que iria comer uma assim. Antes tinha que sequestrar mendigos sujos ou crianças de cidades pequenas, não era fácil é claro, atrair uma prostituta ou algum rapazinho que estivesse querendo vender o corpo era mais fácil, infelizmente eles se recusavam a entrar no armazém e Oliveira odiava ter que utilizar de seu revolver para convence-los, mendigos eram mais fáceis, qualquer promessa de drogas ou comida já os faziam ir correndo, infelizmente não eram muito apetitosos, preferia evita-los ao máximo. As horas passavam e Oliveira ia ficando cada vez mais ansioso. Já fazia mais de dois meses que não praticava seu hobby, sempre dizia para a esposa que estava indo pescar em um sitio e que voltaria em dois dias, ela insistia para que ele levasse os filhos e ele sempre prometia que levaria quando eles estivessem mais velhos. Jamais faria isso, é claro. Amava seus rapazes muito, mas às vezes pensava que um dia eles poderiam se juntar a ele na sua atividade. Enquanto esperava ele caminhava impaciente pelo armazém, lá tinha tudo que ele precisava, facas de todos os tipos e tamanhos, espetos de ferro e um fogão, era uma beleza, funcionava tanto a gás quanto a lenha, uma verdadeira obra de arte, para seus convidados ele tinha colocado uma cadeira que ficava bem acima de um fosso, o sangue escorria e lá ficava, era prático e não sujava o chão todo. Depois era só lavar as coisas e, é claro, enterrar o corpo. Já havia separado uma área do armazém para isso, era tudo perfeito, é claro, se ninguém descobrisse. Três buzinadas, uma curta e duas longas como combinado, seu convidado havia chegado finalmente.

        Senhor Malta era um homem fino, isso foi inesperado, tinha um daqueles carros importados que Oliveira nem soube pronunciar o nome, era alto e terrivelmente bonito, sua beleza era daquelas que ameaçavam, que intimidavam apenas por estar ali. Tinha cabelos pretos bem curtos e penteados, seus olhos eram de um azul tão claro que parecia cinza, sua barba estava tão impecável quanto seu terno e mesmo com o calor ele estava de luvas pretas, estava com uma linda gravata rubra feito sangue que brilhava enquanto caminhava graças à luz do sol e o seu sapato, que parecia ser bem caro, se sujava na terra a cada passo que ele dava. Ele parecia não se incomodar, se aproximou em silêncio olhando para o armazém, Oliveira queria dizer algo, mas estava se sentindo tão baixo, tão insignificante diante do Sr. Malta que apenas ficou em silêncio. Ainda sem dizer nenhuma palavra, Sr. Malta retirou um maço de cigarros do bolso e colocou um levemente nos lábios, guardou novamente o maço no bolso e olhou para Oliveira como se esperasse algo. Vendo que o contador não teve nenhuma reação, cerrou um pouco os olhos e delicadamente retirou a luva da mão direita com a ponta dos dente, enfiou novamente a mão no bolso e retirou um isqueiro dourado, acendeu o isqueiro e usou a mão esquerda para bloquear o vento, Oliveira reparou que aquela mão era esquisita de alguma forma, não sabia dizer o que era por causa da luva. Ele guardou o isqueiro e calçou a luva novamente, deu um trago fechando os olhos, estava degustando o momento, então finalmente deixou que a fumaça escapasse pelo nariz e depois pela boca lentamente. A fumaça cheirava a nicotina e menta. Retirou o cigarro com a ponta dos dedos de sua mão direita e olhou para o pequeno contador a sua frente, então rompeu o silencio.

         – Belo lugar. – sua voz era firme, e enquanto falava um leve sorriso aparecia e depois sumia de seus lábios, dando a sensação de que tudo que falava era sarcástico. – posso entrar?

        – É claro, por favor.

       Oliveira abriu e fez um gesto que acreditava ser de cortesia para que o Sr. Malta entrasse. Nunca esteve na presença de um homem tão fino na sua vida, estava começando a ficar excitado com aquilo, mas também estava com um leve receio. Mostrou todo o lugar para o Sr. Malta, o homem era surpreendente e não se assustou com nada, em momento algum Oliveira precisaria sacar sua arma e logo estava ficando confortável com aquele homem misterioso. Mostrou até mesmo onde enterrou suas vitimas e se sentiu orgulhoso quando foi elogiado pelo belo trabalho, estava feliz, estava satisfeito consigo mesmo, finalmente havia conseguido o reconhecimento que tanto desejava, não era mais um lobo solitário, não nadava sozinho contra a corrente, sua arte era finalmente compartilhada e apreciada, nunca havia ficado tão excitado antes. Sr. Malta havia terminado seu cigarro, a guimba estava amassada em algum canto onde ele havia simplesmente jogado e depois pisado e agora sua atenção estava voltada para a cadeira.

      – Muito engenhoso, o sague escorre e você não precisa gastar muito tempo limpando, muito engenhoso mesmo. – cada elogio fazia Oliveira vibrar de alegria, poderia até chorar de felicidade, estava sorrindo feito uma criança. – quantos mesmo que você já glorificou?

     – Três rapazes, duas prostitutas, duas crianças e cinco mendigos. – achou estranho ele ter usando a palavra “glorificou”, decidiu gostar disso, fazia seu hobby parecer mais bonito agora.

     – Doze então. É perfeito. Foram todos aqui? Sim, foram sim, todos nessa cadeira. – enquanto falava o Sr. Malta fazia uns gestos estranhos com a mão direita, parecia que não esperava qualquer resposta também, mas mesmo assim Oliveira deixou escapar um “sim”.

    – Me desculpe perguntar Sr. Malta, senhor, er… – tossiu seco tentando achar as palavras. – Mas o senhor já havia feito algo parecido antes? Digo, bem, nas cartas o senhor havia dito que também praticava do… o senhor sabe, da arte, não é?

   – Sim, claro. Também tenho o meu número de glórias, estou agora em busca de mais uma.

   – Bom, o senhor se convidou para ser… como eu posso dizer?

   – Glorificado meu amigo, ser glorificado.

   – Sim, sim. Ser glorificado, o senhor já fez isso alguma vez?

   – É claro. – Sr. Malta ajeitou seu terno e sorrindo retirou a luva da mão direita com a ponta dos dentes novamente e em seguida com um movimento retirou completamente a mão esquerda do braço. Oliveira deu um pequeno grito de susto e entendeu o que havia acontecido, estava ficando mais excitado, mais empolgado, aquele Sr. Malta realmente era um homem de surpresas. Sr. Malta encaixou sua mão novamente e calçou sua luva. – posso te dizer, meu amigo, que você ainda tem que descobrir a verdadeira glorificação.

   – Verdadeira glorificação. – Oliveira repetiu com se fosse uma oração, aquelas palavras foram poderosas, sua boca enchia de saliva, podia sentir seus músculos e nervos gritando, aquilo poderia ser tudo que sempre desejou. – como… como seria isso, meu senhor?

   – Ora, é mais simples do que você imagina meu caro amigo. – Sr. Malta parou de propósito e recomeçou todo o seu lento ritual para acender um cigarro, Oliveira assistiu como se estivesse numa peça de teatro, cada movimento, cada gesto e até mesmo o cheiro de cigarro que antes até lhe incomodava estava lhe dando uma sensação de euforia, faria tudo que o Sr. Malta falasse, obedeceria suas ordens. A partir daquele momento seria seu escravo, seu servo, seu aprendiz, queria ser como ele e se odiou profundamente por não ser. – Você glorificou rapazes e mulheres, crianças e idosos correto? – Oliveira afirmou com a cabeça e Sr. Malta assentiu com um profundo trago, expeliu a fumaça como um poderoso dragão da mitologia faria, era terrível e ao mesmo tempo magnifico. – Mas você ainda não se glorificou, não sentiu o sabor da sua própria santidade.

     – O senhor quer dizer? Isso significa eu me comer? – o Sr. Malta o olhou com desdém e Oliveira se encolheu com isso, acreditou ter falado algo ofensivo e queria se desculpar, não teve tempo, Sr. Malta deu um último trago em seu cigarro e o cheiro de nicotina e menta se espalhou entre eles, deixou a guimba escorregar pelos seus dedos e pisou nela com a ponta de seu sapato.

     – É uma forma de dizer, mas assim parece algo horrendo. Você sabe que não é, Oliveira, você sabe que o que fazemos é algo grandioso, você consegue sentir o poder, não consegue? Consegue sentir a energia que flui através da glorificação, então me diga. Acha que eu estou falado mentiras?

   – Não, senhor, é claro que não, meu senhor. – Oliveira quase havia ajoelhado, se encolheu ainda mais do que já estava se encolhendo, não passava de um homem miúdo e miserável diante da grandeza, da classe e da sabedoria do Sr. Malta. Desejou por mais, queria ouvir mais, saber mais, aprenderia tudo, faria tudo.

   – Então? Quer sentir a verdadeira glorificação?

   – Sim. – a afirmação quase não saiu da sua boca, sentiu tanta emoção que as lágrimas escorreram de seus olhos para seu rosto, seus lábios tremiam, seu corpo tremia, talvez até mesmo sua alma estivesse vibrando, não se sentia à altura daquele convite, sabia que não era merecedor, que teve nada além do que sorte. Além de tudo o Sr. Malta era piedoso, misericordioso, iria realizar um sonho jamais idealizado.

   – Então venha, sente-se aqui. – Sr. Malta fez sinal para que ele se sentasse na sua cadeira. Nunca antes havia se sentado nela, teve a sensação de nostalgia. Sr. Malta amarrou seus braços e pernas com os cintos que já estavam lá para essa função, Oliveira não resistiu, ele queria aquilo, desejava aquilo mais do que tudo no mundo. – primeiro temos que preparar as coisas, não podemos ter pressa correto? – Oliveira apenas assentia com a cabeça, estava emocionado demais para falar.

     Estava se sentindo estranho. Não era ruim, na verdade era até mesmo prazeroso, mas ainda era estranho. Assistia o Sr, Malta retirar o paletó de seu terno, a gravata estava destacando bem mais agora, ele pegou uma faca estranha, era na verdade um punhal e pelo brilho deveria ser de prata, era linda. Sr. Malta se aproximou e com a ponta do punhal rasgou a camisa de Oliveira com uma precisão sobrenatural e do tórax exposto surgiu uma fina linha de sangue. Oliveira ficou surpreso por não ter sentido nada.

     – Existe todo um processo para que a glorificação seja perfeita, deve existir alguns sentimentos envolvidos e, é claro, o corpo também tem que ter algumas sensações para que a alma seja tocada. – enfiou a ponta da faca delicadamente na barriga de Oliveira, a dor foi intensa, Oliveira fechou os olhos para aguentar, mas com um gesto Sr. Malta chamou usa atenção e o encantador sorriso daquele homem o tranquilizou. O punhal atravessou sua carne, mas bem antes de pegar qualquer órgão, não foi tão profundo, ele a penetrou de lado e agora delicadamente retirava um pedaço como um gentil açougueiro, gotículas de sangue se formaram e em seguida o quente e rubro sangue escorria de sua barriga para sua calça, pode ver sua gordura, seus músculos nunca trabalhados através de sua epiderme e derme violada. Já havia visto mais do que isso nas suas vitimas, não era nenhuma surpresa, mesmo assim era incrível. A parte que Sr. Malta retirou era de um bom tamanho, pouco menor que uma mão, agora ele delicadamente apoiava o pedaço em sua mão postiça e usou a lâmina do punhal para limpar a pele, jogou a pele flácida em um canto e colocou o “filé” na boca de Oliveira. A sensação que teve foi indescritível, nunca havia provado algo tão saboroso, nunca havia sentido tanto prazer, era como se seu corpo e alma estivessem se fundindo, se sentiu completo, estava sendo glorificado e até mesmo a dor havia sumido.

     – Senhor. – sua voz falhava pela sensação de prazer, estava em êxtase total, havia alcançando seu próprio nirvana. – o que é o senhor?

    – Eu? Sou apenas um realizador de sonhos. – seus olhos pareciam brilhar, não como se alguma luz estivesse refletindo, eram como olhos de gato, brilhando num azul espectral. – gostaria de ver um truque? – Oliveira confirmou com a cabeça, qualquer coisa que o Sr. Malta fizesse ele iria querer, estava totalmente dominado. O Senhor Malta sorriu e retirou sua luva com a ponta dos dentes novamente e em seguida desencaixou sua mão, até aí nada de misterioso, Oliveira havia se surpreendido com isso da primeira vez, não aconteceria de novo, então apenas relaxou, se deixando levar pela interminável sensação de êxtase enquanto seu próprio sangue escorria pela sua boca. Foi quando as coisas ficaram um pouco estranhas, agora segurando a mão postiça e deixando a luva cair dos seus lábios Sr. Malta disse alguma coisa, um sussurro estranho e quase que instantaneamente sua mão postiça começou a se mexer. Foi um susto, é claro, mas Oliveira decidiu acreditar que era algum mecanismo que fez aquilo. Sua teoria se desfez quando Sr. Malta encaixou a mão novamente no braço e em seguida retirou a luva, era um mão normal, perfeita.

      – Como? – uma frase completa dificilmente conseguiria se formar na mente de Oliveira agora, estava sentindo o prazer ainda, e junto a ele outro sentimento, o sentimento de que algo terrível estava para acontecer, algo que ele não esperava.

      – Existem mais coisas nessa vida do que você imagina, não vou perder meu tempo te explicando. – agora a gentileza havia desaparecido completamente, o único ser que existia ali era o terrível Sr. Malta. – saiba apenas que você foi um ótimo pião e fez o trabalho necessário.

     – O que… senhor? – estava sentindo medo agora, todo o armazém estava mais escuro e sinistro, vários rostos estranhos surgiam da imaginação de Oliveira em cada canto, ou pelo menos ele queria acreditar que era em sua imaginação, alguns deles eram familiares, eram suas vitimas. 

    – Vai acabar logo. – a outra luva caiu ao chão e com as duas mãos o Sr. Malta ergueu o punhal, os olhos de Oliveira choravam novamente, dessa vez não de prazer e sim de medo, queria fugir, queria acreditar que aquilo não estava acontecendo, não era para ser assim, não era para terminar assim. O punhal cravou pouco abaixo do seu pescoço, a dor aguda foi tão intensa que nenhum som saiu de sua boca, apenas o rosto torcido pelo golpe, em seguida ela deslizou rapidamente até atravessar sua pélvis, ela partiu seu peito ao meio como uma serra não faria, sentiu seu tórax expandido com bruta separação do externo, sentiu suas entranhas sendo partidas e até mesmo seu genital sendo separada de seu corpo. A dor se espalhava pelo corpo, era tanta que nem conseguia organizar sua mente, sentiu os pulmões falhando, sangue jorrava de sua boca, começou a ficar tonto e a perder os sentidos e com as últimas batidas de seu coração seu cérebro apenas se concentrou em pensar pela última vez na sua família.

        Sr. Malta limpou suas mãos e o punhal em sua gravata rubra, ela absorveu o sangue completamente, guardou o punhal no seu cinto e assistiu o sangue escorrer por entre a cadeira direto para o fosso. Com um gesto delicado segurou o corpo de Oliveira pelos cabelos e quase o ergueu da cadeira mostrando uma força sobrenatural, chutou a cadeira para longe e com ela também se foi a base que tampava o fosso, agora sim estava com o corpo inteiro de Oliveira erguido por uma única mão bem acima do fosso. As entranhas de Oliveira, graças à ajuda da gravidade, começavam a ser expelidas de seu corpo e a cair no fosso. Sr. Malta soltou o corpo que caiu como um saco de lixo, os restos dele ainda estavam lá em baixo em todos os cantos, isso não incomodava Sr. Malta, ele estava mais do que acostumado com isso. Vestiu tranquilamente seu paletó e calçou suas luvas, batendo as mãos para limpar a terra. Voltou-se para o fosso.

       – Ergam-se soldados das trevas, seu general os aguarda. Temos uma guerra para vencer. – retirou o maço de cigarros do bolso e colocou um nos lábios com delicadeza, o cigarro acendeu automaticamente, deu um trago e segurou o cigarro com a ponta dos dedos deixando que a fumaça escapasse pela sua boca e nariz. Do fosso, um a um surgia sua legião infernal, deformados e sedentos de sangue, seus servos, seu exército. Agora faltava muito pouco para poder realizar o seu desejo.

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