O mendigo e o cão

Um sem teto andando na calçada imunda, mas mesmo assim, não mais do que ele próprio.

– Vô morre. Só pão, pão e pão. Eu queria um cigarro.

ele senta em um canto que está forrado de papelão.

– Não “guento” mais essa vida.

chega um cão abanando o rabo, está bem sujo e mal cuidado, o sem teto o acaricia e lhe da um pedaço de pão.

– Desse jeito agente tá ferrado amigo.

o cão late e abana o rabo e pega o pão com sua boca. (ebaaa, adoro isso.)

– se eu ganhasse muito “dinhero” eu “pudia” se rico.

o cão já alimentado começa a pular em volta do sem teto feliz como nunca. (depois de comer o melhor brincar.)

– eu sei amigo, eu também “num” quero “cumé’ mais pão.

o cão late e começa a puxar a barra da calça imunda. (como eu adoro ele, adoro o cheiro dele.)

o sem teto  se levanta.

– “vamo” amigo, “vamo” lá “consegui” “dinhero”.

Caminham entre varias pessoas que os ignoram.

– Me dá um troco ai moço?

–  Depois.

–  Ô dona, to “cum” fome.

E a mulher gorda passa sem nem olhar.

– Dá um real “dotor”?

O cão abana o rabo e late feliz. (olá moço)

– Sai cachorro, passa…

– Um real ai?

– Tenho só isso.

– Deus te pague.

pegou o dinheiro e o dia passou, logo estava de volta a caixa de papelão.

– Só deu “pra” “compra” uma cachaça. Vô morre…

começou a chover, o sem teto  se deita e o cão se aconchega nele.

– Droga. Vida ruim. Desculpa amigo, queria cuidar “meinhô” de você. Um dia “vô” “cê” rico.

o cão lambe seu dono no rosto. (você é meu melhor amigo, adoro essa vida… obrigado)

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