No mar de flores

Seus olhos estavam cerrados, enxergava apenas uma fraca luz. Estava na penumbra.

Podia sentir o cheiro doce da primavera cobrindo seu corpo, se deixou levar pelas flores como num mar, seu corpo foi tragado, completamente absorvido e agora viajava por além de todos os sonhos.

A música vinha de seu coração, um tom triste e solitário, a música de um apaixonado que não conseguiu ter sido amado e se viu abandonado, sem sonhos realizados.

O mar de flores o carregava e uma fraca luz o banhava, sua pele era rasgada por milhares de espinhos de plantas diversas, ardia e seu sangue um rastro deixava, mas a dor era menor do que a que seu coração carregava.

Sentiu mergulhar e a luz se apagou, agora mais forte os espinhos cortavam, estava sendo lacerado e mais no fundo foi sendo amputado ate nada mais sobrar.

Mas ainda sentia um coração que sem existir ainda batia e sua mente ainda fluía numa única pessoa a pensar.

E mesmo sem corpo, eternamente sofreria esperando um dia seu coração se quietar ou sua mente apagar.

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