Underground: Parte 2 – A Garota na Gaiola

Seu corpo inteiro doía, braços, pernas, barriga, cabeça, tudo doía e a dor era tão intensa que mal podia pensar, tentava não fazer barulho, não queria demonstrar fraquezas, era impossível. Philip foi arrastado pelo que pareciam ser horas até que perdeu a consciência, acordou em um lugar húmido, frio e completamente escuro, a primeira dor que sentiu foi no braço esquerdo e ao toca-lo não pode conter o grito, a surpresa da dor aguda e pulsante que se espalhou pelo braço até alcançar sua mente, seu corpo contraiu de forma involuntária e ele rolou no chão de agonia, o que fez a dor aumentar cada vez mais até seu estomago embrulhar e faze-lo vomitar e chorar descontroladamente. Phillip tentou respirar fundo tentando tomar controle de seu corpo, ainda segurava o braço esquerdo que não se movia, podia sentir algo pontiagudo saindo de sua carne enquanto sentia o calor do liquido que dele escorria, não conseguia mover nem ao menos um único dedo daquele braço porem a dor que dele irradiava alcançava a todo o corpo, estava quebrado e Phillip tentava não imaginar o quão horrível estava.
Havia desmaiado novamente, levantou com dificuldade tentando achar algum lugar para se apoiar, encontrou uma parede tão húmida e grudenta quanto o chão, não podia ver nem um centímetro a sua frente, seguindo a parede que havia achado começou a se arrastar para algum lugar, estava mancando do pé esquerdo, havia torcido o tornozelo em algum momento. A cada passo ele respirava fundo, cada vez que o ar saia de seus pulmões vinha com um gemido de dor, foi uma escolha bem difícil a de andar pelo desconhecido e na situação que estava, mas achou mais difícil ainda a escolha de ficar deitado esperando algo acontecer.
Não conseguiu imaginar quanto tempo andou e nem por onde andou, a parede apenas seguia e seguia, não havia nenhuma luz para lhe servir de direção, imaginava se estaria subindo ou descendo? Talvez estivesse andando em círculos numa mesma sala o tempo inteiro, a dor estava ficando cada vez maior, seu corpo latejava e seu braço inutilizado estava pesado e incomodo, seus lábios e garganta ressecados pediam por água e depois de algum tempo a sede era tanta que ele se pegou imaginando qual seria o gosto do chão ou das paredes, afinam eram húmidas e grudentas, ela poderia ter musgos cheios de água, porém o cheiro que delas exalavam era podre e doentio, afastou essa ideia da cabeça desejando não precisar de uma medida tão desesperada e de súbito uma surpresa desagradável lhe golpeou na testa fazendo o perder o equilíbrio e cair no chão bem em cima de seu braço, seu grito foi tão intenso quanto à dor que sentiu e ecoou de forma estranha, estava tonto de dor, mas pode perceber que seu grito não poderia ter ecoado daquela maneira, a menos que…
– QUEM ESTÁ AÍ? RESPONDE. – e sua suspeita foi confirmada, ele não estava sozinho, era a voz de uma garota. – QUEM ESTÁ AÍ?

Phillip teve que respirar fundo para falar, a voz não saiu da primeira vez que tentou, sentia muita dor ainda, mordeu os lábios para se concentrar e falou – Sou Phillip, não consigo te ver.

– Você é uma pessoa? – a voz dela parecia surpresa. – onde está?
– sou um garoto e estou caído no chão, pode me ajudar?

Ela demorou alguns segundos para falar. – sinto muito, não posso. Estou presa. – Phillip se arrastou com os pés até as costas encostarem-se a uma superfície, apoiando com o braço direito fez força contra a parede para se levantar, foi mais fácil do que esperava, deslizou suavemente para cima e logo se pós em pé, andou na direção de onde ouviu a voz com sua mão direita erguida na altura da cabeça, foram quatro passos até esbarrar em algo gelado e metálico, rodeou sentido com a mão e tocou o objeto de varias formas, era uma espécie de gaiola com grades entrelaçadas tão próximas uma das outras que apenas seus dedos passavam, continuou tateando a gaiola em silencio, ouvia apenas a própria respiração e a respiração da garota, sua mão deslizava para cima e para baixo, de um lado para o outro até que finalmente achou algo, era como uma alavanca, porém hesitou.

– como posso saber se você é mesmo uma garota e não um… – não encontrou uma palavra para usar – uma coisa?

– como eu posso saber que você não é uma coisa e sim um garoto?

– não pode. – e puxou a alavanca, a gaiola rangeu alto enquanto parecia que uma porta se abria, Phillip ouvia a respiração da garota e o barulho de seu corpo lutando para sair de sua prisão, assustou quando ela o tocou.
– posso segurar sua mão?
Seu coração palpitou, nunca havia segurado a mão de uma garota antes, deu a ela sua mão direita. – acho que meu braço esquerdo está quebrado, eu… – antes de completar a frase ambos foram surpreendidos com uma luz que surgiu a uma boa distancia de ambos como uma pequena estrela.
– são eles. – a garota falou com uma voz alarmada e suas mãos se apertaram com força. – ninguém nunca voltou quando eles buscaram.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s