Uma História em Hogwarts – Irmandade 01

– A COOOOR DEEEM ME NI NOS. – ela cantou pausadamente. – Não vão querer perder o primeiro dia não é mesmo? – os dois garotos pularam de suas camas sorrindo e gritando, a ansiedade era tão grande que eles mal haviam conseguido dormir, passaram quase metade da noite conversando tudo sobre Hogwarts. A sincronia dos dois era perfeita, pijama, cueca, bermuda, camisa e chinelos, as coisas iam e viam pelas mãos um do outro de forma perfeita, não precisavam nem se olhar e muito menos conversar, um arrumava a cama enquanto o outro já guardava as cobertas que o primeiro havia acabado de arremessar, eram gêmeos é claro, em todos os aspectos e com todo o orgulho que bons gêmeos poderiam ter; rosto comum uns diriam de pele queimada de tanto brincar no sol, cabelos pretos e crespos sem nenhum cuidado vaidoso, para diferenciar com precisão seria necessário olhar as cicatrizes, eram varias e espalhadas nos joelhos, cotovelos e mãos.

Obviamente eles não eram tão idênticos assim, Charles veio primeiro, dois minutos e sete segundos a frente de Chaplin, o que já era motivo de se gabar, era mais velho e se considerava mais sábio e sempre tentava aprender algo para depois ensinar ao seu irmão, já Chaplin costumava viajar, sua mente ia para lugares onde ninguém mais o alcançava e era necessário gritar seu nome varias vezes para ele voltar. Quarto arrumado, banho tomado, dentes escovados e já competiam na corrida para chegar à mesa do café. A casa não era grande e nem pequena, tinha o tamanho ideal, todos os maiores detalhes, pequenos e grandes eram feitos em madeira, cadeiras, mesas, estaturas de animais e vários outros, não seria de espantar afinal o pai deles é marceneiro e escultor, um dos melhores que existe com certeza e o melhor de toda cidade com mais certeza ainda, ele é um trouxa, mas a mãe vive dizendo que o trabalho dele tem mais magia do que toda Londres junta. Hoje foi Chaplin que ganhou na corrida, estavam empatados novamente, como de costume os pratos já estavam prontos com torradas, geleia de morango, bolo de cenoura e suco de acerola, tudo feito à mão pela mãe, ela valorizava muito a vida dos trouxas e é por isso que decidiu morar numa cidadezinha pequena, a mesma onde o pai nasceu e morou a vida toda, ela sempre conversa com Charles e Chaplin sobre Hogwarts e contou varias historias sobre bruxas e bruxos famosos, mas a favorita dos dois era a historia de Harry Potter e do dia que os bruxos das trevas atacaram Hogwarts dois anos depois dela se formar. Eles ficavam ansiosos imaginando se algum dia eles teriam alguma aventura fantástica como aquelas para contar, poderiam ser os Lufanos mais famosos da historia um dia, Lufanos é claro, todos os bruxos da família foramLufa e com certeza dessa vez não vai ser diferente, ambos já sabiam tudo e mais um pouco sobre Lufa-Lufa e sempre mais queriam saber.
– Então meninos? Ansiosos? – disse a mãe enquanto pegava um pote de mel do armário. Ela era simpática, uma típica dona de casa na visão de alguns, cabelos pretos e lisos caídos até a altura dos ombros, rosto rechonchudo e sorridente, era pouco mais alta que seus filhos, eles iriam ficar mais altos que ela com certeza.

– Simmmmmmmmmmmmmmmmmmm. – os dois responderam ao mesmo tempo e com toda energia como de costume.

– espero que estejam preparados. – disse a voz grossa e firme do pai enquanto ele entrava pela porta da cozinha, era alto e musculoso, tinha cheiro de serragem e óleo, ele deixava o cabelo crespo sempre bem curto e tinham um bigode volumoso que se juntava a uma barba bem vistosa, quem olha pela primeira vez pode ficar cismado com sua cara fechada e intimidadora, a verdade era que ele tinha o maior coração de todos e derretia igual manteiga no sol quando se tratava de seus filhos. – conversamos antes e vou repetir meninos, vocês não precisam ir se não quiserem, sei que os dois são bruxos, mas podem escolher uma vida mais tranquila e sem risco.

– Peter! – a mãe disse em tom de reprovação. – já conversamos sobre isso.

– Eu sei Laura, eu sei. – ele tossiu de forma falsa, como faz de costume para disfarçar e continuou – mas são meus meninos, eu não quero que eles corram perigo, sejam comidos por dragões, ciclopes e Valmernorts.

– Voldemort! – os dois corrigiram em conjunto.
– MENINOS!!!! – a mãe disse quase caindo de costas de susto. – não falem esse nome. – os dois começaram a rir. – Aquele que não deve ser nomeado. – a mãe continuou falando enquanto dava um olhar de reprovação para seus filhos que fingiram ficar sérios. – Ele não existe mais Coração, você não precisa se preocupar, nossos filhos estão seguros, vão estar em boas mãos na Lufa-lufa.

O restante do dia passou feito um vento de inverno, tudo já estava pronto é claro, todo material e vestimenta, ambos com suas varinhas de castanheira e núcleo de pelo de unicórnio, até Ferristria, a gata malhada que eles resgataram de uma árvore ainda filhote e que nunca mais desgrudou dos dois estava pronta para a viagem. Assim foram se passando as horas, colocaram tudo na caminhonete de seu pai, a mãe os fez conferir tudo dezenas de vezes até ter certeza de que estava tudo pronto e assim partiram rumo à estação de trem.

– estação 9 ¾! – exclamou Chaplin.

– pela primeira vez, assim como Harry Potter. – Charles respondeu sorrindo.

O pai e a mãe estavam abraçados, as lagrimas do pai escorriam pelo rosto e eram absorvidas pelo bigode e barba enquanto a mãe tentava acalma-lo. – Logo eles estarão de volta querido, vai ter as férias e os feriados, vamos trocar cartas e mais cartas. Até logo meninos, já está na hora e lembrem-se, sejam orgulhosos lufanos.

– seremos mamãe. – responderam juntos e com firmeza, se olharam e deram as mãos usando aos outras para empurrar o carrinho e assim atravessaram direto para poder embarcar, mesmo conhecendo a magia eles não puderam evitar se impressionar, tantas pessoas, tantos bruxos reunidos e embarcando para o lugar mais magico do planeta, se olharam novamente e ouviram o trem chiar, alguém gritava que era hora de embarcar e assim eles se juntaram a muitos outros, rumo a Hogwarts.

A viagem de trem foi maravilhosa, a magia crescia a cada segundo e não parava mais, conheceram pessoas, varias outras crianças que também esperavam ansiosas pelo seu primeiro dia. Após desembarcarem foram rumo ao um campo onde foram guiados até um gigantesco lago e de lá puderam deslumbrar do castelo magnifico que os aguardava, foram de jangada pelo lago e não pararam de se maravilhar, Chaplin jurou ter visto uma sombra passar por de baixo deles e Charles riu. – Quem sabe é uma sereia para você se casar. – Entraram finalmente pelos corredores da escola e seguiram até um grande salão, em vez de teto eles viam o céu estrelado e milhares de velas flutuando, vários alunos estavam de pé aplaudindo a entrada deles, todo o salão estava dividido em quatro, representado as quatro casas enquanto dezenas de fantasmas dançavam entre as mesas e socializavam com os alunos. Com um sinal todos se calaram, uma mulher que aparentava ter uma idade bem avançada estava à frente de todos e se apresentou como Diretora Minerva Mcgonagall, ela sorria e seu rosto era uma mescla de gentileza e severidade, ela fez a saudação a todos e deu as primeiras instruções, aos novos e antigos alunos e então finalmente a cerimonia de seleção que eles tanto aguardavam.

O chapéu seletor estava diante de todos, um a um, cada aluno foi sendo chamado para sentar-se diante de todos para o chapéu anunciar qual casa eles iriam pertencer, a empolgação aumentava a cada segundo e toda vez que o nome Lufa-Lufa era dito a ansiedade e alegria aumentar mais e quando o nome Charles Woodgarden foi dito o coração dos dois quase pulou pela boca, Chaplin viu seu irmão seguindo em direção ao chapéu e sabia que ele estava tremulo, sabia que sua mão direita estava suando e se sentiu satisfeito ao ver seu irmão secar a mão em suas vestes antes de sentar na cadeira, seu rosto era um misto de felicidade e desespero, muito típico de Charles, não demorou muito para o chapéu gritar:
– LUFA-LUFA. – Todos da casa de Lufa-Lufa gritaram em comemoração e o olhar de Charles e Chaplin cruzou, Charles era a satisfação em pessoa.

– Chaplin Woodgarden. – foi o nome falado em seguida, era sua vez. Caminhou com tranquilidade até o chapéu e se sentou, pode olhar nos olhos de seu irmão que já estava sentado na mesa junto com outros Lufanos, “seu lugar está guardado” era o que seus olhos diziam.

– É isso mesmo? Estou vendo dobrado? – disse o chapéu fazendo Chaplin perder a concentração.  – Vejo em você muito de seu irmão e percebo agora que há muito de você nele também, você tem alguma duvida meu jovem?
– Não tenho, de forma alguma. – Chaplin estava tranquilo como sempre ficava em situações novas.

– Então eu posso te mandar para o lugar aonde você vai se encontra e vai descobrir mais de você do que você imagina que têm?

– sim… claro. – Foi estranho, não entendeu direito o que o chapéu quis dizer, mas isso não importava agora.

– Pois bem então, está decidido. – Chaplin sorriu com tranquilidade enquanto olhava para seu irmão e ouviu o chapéu gritar. – SONSERINA. – e o mundo parou de girar, o que aconteceu? Era isso mesmo? No meio de gritos e aplausos o chapéu foi retirado e Chaplin foi sendo empurrado até o meio dos outros da casa de Sonserina, mal conseguia respirar, tantos rostos, tantos gritos, apertos de mãos e sorrisos. Com um sinal os alunos se sentaram e outro nome foi chamado, a ansiedade dos outros alunos para ver quem seria o próximo a ir para uma das casas voltou e assim Chaplin foi esquecido, porém ele não se sentou, ainda estava de pé e em choque, teve medo, mas sabia que teria que fazer, respirou fundo virando a cabeça para o lado e assim olhou na direção da mesa da Lufa-Lufa, e lá estava ele como Chaplin já sabia; Charles também estava de pé, o único em pé de toda Lufa-Lufa, mas não havia o que falar, não havia o que pensar, alguém puxou Chaplin para que ele se sentasse e ao olhar de volta viu que Charles também havia sentado. Assim a cerimonia continuou até que o ultimo aluno novato fosse chamado e a diretora dava os últimos comprimentos antes da ceia começar, o coração de Charles estava acelerado e sua mente não conseguia se concentrar, o coração de Chaplin batia com pesar e sua mente procurava inutilmente por uma solução, pela primeira vez na vida havia uma barreira entre eles.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s