Uma História em Hogwarts – Irmandade 02

Tudo passava rápido de mais, muitas pessoas falavam coisas, muitas coisas, era difícil até de respirar. Antes que se desse por conta Chaplin estava em uma sala cheia de outros alunos da Sonserina recebendo instruções para sua primeira aula, se parasse para pensar ele iria perceber que não fazia a menor ideia de como chegou ali, sentia sua cabeça anestesiada, não conseguia focar em nenhum pensamento, nada era palpável. – Woodgarden? – Alguém chamou, o fazendo sair de seu transe.

– pronto. – respondeu de forma automática.

– aqui está a lista de suas aulas e as indicações das salas de aula. – Disse ao entrega-lo um pergaminho, o aluno que estava falando com ele era bem mais velho, bastante alto e magro, com cabelos loiros e olhos azuis, não se lembrou do seu nome, mas sabia que se tratava do monitor graças ao broche dourado em forma de M em sua roupa. – Se tiver alguma duvida não deixem de me procurar. – dessa vez ele disse falando para todos. – andem em grupos e cuidado com as escadas e corredores, nenhum caminho em Hogwarts é cem por cento confiável. – Wuffir? – continuou o monitor a entregar os pergaminhos. Logo todos os novos alunos foram deixados em seus dormitórios, à maioria deles estava extremamente ansiosa para as primeiras aulas logo ao amanhecer e muitos estavam com a ansiedade tão grande que demoraram para conseguir dormir, Chaplin também teve dificuldades para dormir, porém não pelo mesmo motivo, ele não conversou com nenhum colega da sua casa e nem arrumou suas coisas direito, não colocou seu pijama e nem ao menos retirou seus sapatos, ficou prostrado em posição fetal em sua cama, com olhos bem abertos, ele se sentia como um filhote de qualquer animal indefeso e abandonado em um ninho de serpentes vorazes sem saber que horas seria devorado.

– Você vai atrasar. – assim que ouviu a voz, acordou assustado. O sol já entrava pela janela. Pelo menos você já tá arrumado. O que houve? Acordou muito cedo e dormiu de novo?

– não. – disse enquanto limpava os olhos, seu coração ainda batia acelerado por causa da adrenalina que sentiu. – não tenho certeza.

– A maioria já foi para as aulas, vi você dormindo, como estamos na mesma turma eu iria me sentir mal em deixar você ai. Acho que ninguém mais te percebeu.

– Obrigado. – Chaplin se levantou e começou a pegar suas coisas, arrumou sua bolsa, ajeitou sua roupa e cabelo. Deu uma olhada no pergaminho e viu que sua primeira aula seria Historia da Magia, com o Professor Binns. Agora era só descobrir onde seria a sala de aula. Quando se virou novamente se assustou, o outro aluno que o havia acordado ainda estava lá, o aguardava silenciosamente. Agora sim ele pode reparar bem nele, era quase da sua altura, um pouco mais baixo, olhos grandes e azuis bem claros, cabelos negros e lisos fazendo uma franja que tampava a testa e quase chegava aos olhos. Ficaram encarando um ao outro por um tempo, ele aparentava uma tranquilidade sinistra que dava calafrios em Chaplin, o silencio constrangedor continuava e os dois continuavam a se encarar, os olhos do garoto estavam tão vidrados em Chaplin que ele nem piscava, sem saber exatamente o que fazer Chaplin resolveu conversar.

– Oi.

– Oi. – disse o garoto sorrindo, ainda sem desviar o olhar. – Já está pronto?

– err. – Chaplin hesitou em responder, estava ficando bastante desconfortável e irritado, tanta merda acontecendo em sua vida em menos de um dia e agora tem um esquisitão da Sonserina querendo lhe irritar. Só de pensar desse jeito sua irritação crescia mais e ele não tinha nenhuma vontade de segurar mais toda essa frustração que sentia. – POR QUE RAIOS VOCÊ ESTÁ ME ENCARANDO EM?

O garoto ficou tão surpreso pelo grito de Chaplin que deixou cair sua mochila e algo a mais no chão, seu rosto ficou vermelho e ele rapidamente se abaixou e começou a tatear o chão e busca de seus pertences. Chaplin estranhou a dificuldade do garoto para pegar suas coisas, afinal, eram apenas duas coisas que caíram no chão. A mochila ele achou facilmente, mas aquele outro negocio que estava bem na frente dele, ele parecia que ainda não tinha visto, era um objeto diferente, parecia estar dobrado, era preto com partes metálicas, se esticado ficaria idêntico a uma bengala. Sentiu uma pontada no estomago ao pensar naquilo como uma bengala, Chaplin se tocou da mancada que havia dado. O garoto achou sua bengala dobrável e com um gesto a esticou.

– me desculpe, eu não tive intenção. – Seu rosto ainda estava muito vermelho, ele se virou e foi seguindo em direção à porta tateando o chão rapidamente com sua bengala. Chaplin ficou apenas estático o observando e se sentindo a pior pessoa do mundo.

– Parabéns Chaplin. – disse em voz baixa. – Agora sim você é um verdadeiro Sonserina.

 

Finalmente chegou na sala de aula, parecia ser o ultimo a chegar, porém o professor ainda não havia chegado, passou o olho pela turma e viu o garoto que o havia acordado entre outros membros da Sonserina, ele parecia estar tranquilo, mas mantinha os olhos fechados. A consciência de Chaplin pesou dolorosamente. Após um breve momento ele continuou a olhar o restante da turma e seus olhos se encontraram, Charles já estava lá e era como se o mundo todo tivesse ficado em silencio durante aqueles segundos, Chaplin abaixou a cabeça e se sentou em uma cadeira vazia próxima a porta. Todos foram surpreendidos quando o fantasma atravessou o quadro negro.

– Bom dia alunos. – Sua voz parecia um aspirador velho, ele falava lentamente e sem nenhuma emoção, ele falava como se tivesse lendo algo que estava escrito em um caderno de anotações, parando em cada virgula e expressando nada de emoção. – não temos tempo para ficar impressionados, essa é a primeira aula de Historia da Magia que vocês terão e eu estou ansioso para encher a mente de vocês com conhecimento, saibam que conhecimento é historia e a historia é conhecimento. Vamos começar nosso plano de aulas esse semestre com a origem…

Cada palavra que saia da boca do professor tinha um peso, lentamente a empolgação de cada aluno foi sendo substituída pelo sono, tedio e desinteresse, ele continuava falando sobre os temas que iram ser abordados e como seus testes seriam aplicados e por mais que coisas como Rebelião dos Duendes ou Guerra dos Gigantes parecesse extremamente empolgante, a forma com que o professor falava faziam parecer quase um grande lamurio. Charles estava muito preocupado com seu irmão para prestar a atenção em tudo isso, o observava de longe, conseguia ver o quanto ele estava triste e sozinho, perdido em um lugar onde não poderia salva-lo. Tinha que falar com ele, dizer que iria ficar tudo bem, dizer que tudo iria dar certo, mas como?

– Com licença senhorita. – Disse o professor com um tom ríspido que fez todos os alunos terem os olhos voltados para uma única aluna da segunda fileira. – Você poderia me explicar o que está acontecendo?

– Desculpe professor, é que eu estou com um problema. – A aluna era uma garota baixinha, com cabelos lisos e loiros, olhos castanhos e bochechas roliças e rosadas, ela era da Corvinal e o que chamou a atenção do professor era o fato dela manter um objeto retangular em sua mão que estava levantada acima de sua cabeça e que refletia uma tênue luz em sua face. – Não consegui sinal dês de ontem, meus dados moveis não funcionam e eu preciso informar minha mãe que minha aula já começou. – O professor assim como os outros alunos olhavam pasmos para ela, que por sua vez chegou a levantar e subir na cadeira para tentar conseguir sinal para seu smathphone. – Pensei que aqui em cima eu conseguiria algum sinal, saco. Bem, minha bateria vai acabar logo. – ela suspirou desanimada. –  onde eu encontro uma tomada nesta sala professor?

– Tomada? Não temos esse tipo de necessidade em Hogwarts senhorita.

– OQUE? – a garota quase caiu da cadeira e o professor continuou.

– aqui em Hogwarts você não vai precisar desses instrumentos de trouxas, celulares e energia elétrica estão fora de questão.

– E meu notbook? – perguntou desesperada.

– Desnecessário. – o professor respondeu impassível.

– meu tablet? – perguntou enquanto se sentava com dificuldades.

– inútil. – falou ao se virar de costas.

– Internet? – ela insistiu mesmo já sem esperanças, deixou os braços caírem e seu smartphone escorregou pelos seus dedos, deslizando para um canto da sala.

– Inexistente. – E assim todos sabiam que aquela discussão havia terminado, a garota estava perplexa, completamente atordoada, alguns alunos riam baixo enquanto outros aproveitaram a situação para conversar e tagarelar, mas logo a voz cansativa e pesada do Professor caiu sobre os ombros de todos e a aula voltava a sua sincronia.

 

Advertisements

One thought on “Uma História em Hogwarts – Irmandade 02

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s